domingo, 20 de julho de 2014

Sobre repressão, UPP's e Funk...

Em uma sociedade onde a violência está contida em todos os níveis socais, a repressão seria, de forma metafórica, um de seus tentáculos. A palavra de seria: conter a violência com mais violência - eis a máxima da repressão. As capitais brasileiras, aí destaco as nossas zonas periféricas, vivem cotidianamente um espetáculo banhada à sangue. Sem citar protagonistas, mas destacando a participação (nada especial) da polícia militar com a sua truculência de praxe. Em relação a isso, tudo que eu disser aqui será apenas um prognóstico. A tentativa de manter as classes médias e abastadas distante dessa realidade, faz com que se criem políticas públicas dedicadas a "levar a paz" para aquelas comunidades a todo custo. A paz que eles julgam ser a necessária para aqueles cidadãos. O curioso: sem pedir licença, sem qualquer tipo de levantamento com a população; o fazem arbitrariamente. Simplesmente por que assim o querem. Ao tocar neste ponto não há como não nos remeter as UPP's cariocas. Motivo de orgulho do governador e prefeito! Devem pensar orgulhosamente: é tudo nosso!

O que eu vi, em uma das coberturas cinematográficas realizadas pela rede Globo, foi bastante repressão e rostos locais marcados pela angústia e receio de tanta truculência. Tanques, caveirões, barricadas, revistas de quem entra e sai da comunidade davam o tom do medo e imposição pela força do poder público.  De tudo, nunca havia pensado para além dos que os jornais divulgam sobre estes episódios. Fatos tão corriqueiros daqueles loci passavam desapercebidos de mim. Como ficaria a cultura daquela galera? O funk, enquanto movimento muitas vezes atrelado ao tráfico, ficaria imune as UPP's?

Eis que este assunto foi tratado pelo fotógrafo francês Vincent Rosenblatt em entrevista ao (sempre bom) Catraca Livre. Rosenblatt desenvolve um projeto mega interessante, cujo objetivo é retratar os bailes funks da periferia carioca; chamado "Rio baile funk! Favela Rap". Entre perguntas e respostas, podemos submergir na cultura do funk e refletir alguns aspectos que não são tão explícitos aos que estão de fora; como eu.

E você que criminaliza o funk, dá uma olhadinha na entrevista: https://catracalivre.com.br/geral/design-urbanidade/indicacao/fotografo-frances-registrou-mais-de-400-bailes-e-mostra-o-funk-como-voce-nunca-viu-leia-entrevista/

Bom, que a favela possa dar um grito de liberdade e que o pobre seja tratado com dignidade, sem este vandalismo proporcionado pelo Estado, reprimindo seu ir e vir, sua música, seu baile, sua rima, seu som...


quinta-feira, 17 de julho de 2014

Fiz aniversário... que bom!

Adoro viajar, para além da famigerada expressão "viajar na maionese". Conhecer lugares, sentir-se estranho no meio do corriqueiro é uma sensação que me dá muito prazer. Uns fogem da alteridade, em certos período eu a busco loucamente. A sensação de conhecer o desconhecido aguça a minha curiosidade, característica que sempre tive desde que me entendo por gente. Por essa razão, de forma a saciar a minha vontade pelo novo, pelo desconhecido, optei ser historiadora. Buscar o que não é ininteligível no tempo do agora para decodificá-lo para os meus contemporâneos é uma delícia de desafio, que advém muito do que sou - acredito. Acho que é uma velha estratégia de vida: fazer profissionalmente o que me nos dá gosto. Estive fora de casa por um mês e neste período fiz aniversário. Confesso: detesto datas comemorativas! Logo, não gosto de fazer anos. Não sei o por que, simplesmente não gosto. Claro, adoro ir às festas de aniversários dos meus queridos. Aliás, não deixem de me convidar! Mas preferiria pular o dia 13 de julho.

Por algum motivo, este aniversário feito a distância me fez sentir amada pelos os que gostam de mim. As manifestações de carinho me acalentaram. Pode ser pelo fato de muitas vezes me sentir sozinha - no lo se. 
De tudo, as mensagens de carinho, por mais torpes que possam ser, fazem bem ao outro. Um abraço inesperado, um sorriso largo, uma mensagem positiva... atos simples que são tão transformadores. De tal modo, acho que ando relapsa com as pessoas que gosto e me preocupando mais com gente que "dá de ombros" para minha pessoa (percebi isso lendo as mensagens que recebi no dia do meu aniversário). Parece frase de livro de auto-ajuda barato, mas: demonstre mais para as pessoas que você realmente se importa com ela. Eu me importo com um tanto de gente que há séculos não vejo e tampouco procuro...

No mais, escrevo mais velha e com o coração abastecido de carinho!
Se você é meu amigo: muito obrigada por sê-lo. Caso contrário, pode vir que as portas estão abertas e tem sempre lugar.

terça-feira, 15 de julho de 2014

O inferno não são os outros.

Eu considero a minha cabeça como algo indecifrável. Isso pode parecer algo comum, uma espécie de sentimento coletivo. Não experimento a vivências alheia, não sei das angústias que sentem e qual o impacto das mesmas em suas vidas. Seria muito egoísta dizer que pouco me importa, porém, acho que cada pessoas tem que lidar com a sua loucura e com os mistérios que a rondam, e que por muitas vezes nos blefam. Acho, não sei por qual motivo, que escrevendo posso decifrar melhor o que acontece comigo, me conhecer, ou melhor, tornar-me mais inteligível para mim mesma. Sim, é difícil de dizer, mas é uma necessidade de auto-ajuda- escrever escrever escrever. Expulsar o inferno contido aqui dentro, subvertendo o recado sartriano: o inferno são os outros. Não, e que me desculpa Sartre, o inferno sou eu e reconheço (ou pelo menos tento reconhecer).  
Um motivo para escrever e entrar nessa "bloggesfera". A ver lo que pasa...