sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Brevemente sobre o amor e a dor...

Já amei muito, amei tanto que pensei que nunca mais iria amar como antes. A ferida foi aberta por alguém que não quis mais receber e contribuir com amor. A ferida foi tão grande que pensei que nunca mais pudesse ser cicatrizada. De tudo, eu não estava errada. A ferida foi fechando bem aos pouquinhos, à duras penas ao longo de muitos anos, como um fardo a ser carregado por algo que eu mal sabia; ou não conseguia compreender. Isso tudo, ou seja, relembrar todo este processo me faz mal, sinto-me como me teletransportando para aqueles tempos difíceis que gostaria de não ter experimentado. Apesar de, lá fundo, bem lá no fundo, ter achado essa experiência importante para a mulher que sou hoje. Vivências traumáticas, se assim podemos dizer, a meu ver, são difíceis de digerir. Invejo aquelas pessoas que conseguem com a dor do amor perdido sacudir a poeira e dar a volta por cima. Sofro, me arrasto, lamento e o pessimismo toma conta de mim como um heterônimo de Pessoa. E sempre firme, como dona de mim e tendo controle dos meus próprios sentimentos, digo que não quero mais aquilo. Aquilo que me fez mal: a dor de amar. Tola que sou, imatura que sou, criei uma blindagem para me enganar. Mal sabia que era como uma peneira onde qualquer cisco era facilmente penetrável.
Bom, chegou aos poucos um menino, simples, de fala baixa e pausada, de uma sensatez de poucos, munido com poesias e ombro amigo rompendo todos os limites impostos por mim. Resisti a tudo aquilo, como resistir! Todas as lembranças ruins me faziam negar qualquer tipo de abertura para o carinho e o amor. Parecia que havia me tornado uma pessoa amarga, seca, sem aptidão para amar e deixar ser amada. Em um passe de mágica, a flor murcha que eu havia me tornado, floresceu! Como numa valsa, rodopiei desenfreadamente pelo salão, vivenciando o deleite do amor correspondido. E queria que isso fosse eterno... Ledo engano, esqueci que as vivências passadas não havia desaparecido como um passe de mágica. A valsa não é eterna e os rodopios tampouco. Acho que o amor na minha vida é algo passageiro, cíclico. A dor, por sua vez, é o pior remédio para estes tempos sem amor. Logo, os dois caminham de mãos dadas e eu...não sei. Um dia aprendo a me colocar entre os dois. 

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

eu versus você

Relacionamentos são por si só complicados. Admiro quem consiga tirar de letra qualquer relação que envolva um outro. Sair da sua zona de conforto e adentrar um universo desconhecido não é uma tarefa fácil. Acredito que, por mais que você seja íntimo de um fulano ou ciclano, ele sempre será um mistério a ser decifrado, por justamente possuir uma subjetividade que nunca será 100% compatível com a sua. Gosto do convívio com certas pessoas, mas o fato de gostar de viver com outras pessoas não miniminiza o quão difícil é essa relação. Hoje, as redes sociais exacerbam o culto ao EU e complicam mais ainda a situação. É um tal de "Eu vou ali", "estou em tal lugar", "estou comendo isso", eu eu eu e mais eu. Bom, somado a este culto ao individualismo, as relações via internet também proporcionam um afastamento físico com o outro, a troca de olhar, o toque, o sorriso sincero ou o choro, ali ao vivo, frente a frente é bem mais raro. O ambiente virtual mascara certas situações que eram experimentadas na ocasião do encontro. Assim, temos uma combinação estranha: o afastamento e a exposição estremada. Há alguns anos isso seria encarado como um paradoxo, hoje, uma realidade. Ao mesmo tempo em que nos distanciamos, damos um grito de: "Ei, to aqui". Exemplo maior? O Facebook e as opções de curtidas. Pensando agora, não seria demasiado em colocar uma questão: "invenção do eu". Tentativa de forjar um perfil que agrade a todos, passando por cima de questões que não lhes são próprias para ter o simples e puro deleite de ser bem aceita, lida e percebida nas redes sociais.

Claro que as demandas deste contexto são outras e, obviamente, vai afetar os relacionamentos sociais de alguma forma. Não quero criticar essas mudanças, e nem tenho autorização para tal. Imagina se as sociedades fossem estáticas? Além de ser uma chatice só, daria uma eterna sensação de viver em um tempo cíclico. As mudanças processuais fazem parte de qualquer tempo histórico e incide sobre qualquer tipo de elementos vivendo em sociedade. QUE BOM! Caso fosse diferente, Eu, como historiadora, ficaria sem uma função social e o desemprego bateria a porta.

Mas de todas as formas, sinto a falta do cara cara, do nós ao invés do eu, de sentir o outro, ter a sensibilidade de olhar e ver o que alguém tem a me dizer com o seu olhar, compartilhar a alegria ou a tristeza de um encontro.
No final este texto descambou para um tom saudosista e piegas. Não era a minha intenção. #Sorry E para não debandar de vez para possíveis lamúrias, melhor terminar por aqui mesmo. (Acho que tudo foi por causa de uma conversa mal sucedida no FB. ah neeem)

domingo, 20 de julho de 2014

Sobre repressão, UPP's e Funk...

Em uma sociedade onde a violência está contida em todos os níveis socais, a repressão seria, de forma metafórica, um de seus tentáculos. A palavra de seria: conter a violência com mais violência - eis a máxima da repressão. As capitais brasileiras, aí destaco as nossas zonas periféricas, vivem cotidianamente um espetáculo banhada à sangue. Sem citar protagonistas, mas destacando a participação (nada especial) da polícia militar com a sua truculência de praxe. Em relação a isso, tudo que eu disser aqui será apenas um prognóstico. A tentativa de manter as classes médias e abastadas distante dessa realidade, faz com que se criem políticas públicas dedicadas a "levar a paz" para aquelas comunidades a todo custo. A paz que eles julgam ser a necessária para aqueles cidadãos. O curioso: sem pedir licença, sem qualquer tipo de levantamento com a população; o fazem arbitrariamente. Simplesmente por que assim o querem. Ao tocar neste ponto não há como não nos remeter as UPP's cariocas. Motivo de orgulho do governador e prefeito! Devem pensar orgulhosamente: é tudo nosso!

O que eu vi, em uma das coberturas cinematográficas realizadas pela rede Globo, foi bastante repressão e rostos locais marcados pela angústia e receio de tanta truculência. Tanques, caveirões, barricadas, revistas de quem entra e sai da comunidade davam o tom do medo e imposição pela força do poder público.  De tudo, nunca havia pensado para além dos que os jornais divulgam sobre estes episódios. Fatos tão corriqueiros daqueles loci passavam desapercebidos de mim. Como ficaria a cultura daquela galera? O funk, enquanto movimento muitas vezes atrelado ao tráfico, ficaria imune as UPP's?

Eis que este assunto foi tratado pelo fotógrafo francês Vincent Rosenblatt em entrevista ao (sempre bom) Catraca Livre. Rosenblatt desenvolve um projeto mega interessante, cujo objetivo é retratar os bailes funks da periferia carioca; chamado "Rio baile funk! Favela Rap". Entre perguntas e respostas, podemos submergir na cultura do funk e refletir alguns aspectos que não são tão explícitos aos que estão de fora; como eu.

E você que criminaliza o funk, dá uma olhadinha na entrevista: https://catracalivre.com.br/geral/design-urbanidade/indicacao/fotografo-frances-registrou-mais-de-400-bailes-e-mostra-o-funk-como-voce-nunca-viu-leia-entrevista/

Bom, que a favela possa dar um grito de liberdade e que o pobre seja tratado com dignidade, sem este vandalismo proporcionado pelo Estado, reprimindo seu ir e vir, sua música, seu baile, sua rima, seu som...


quinta-feira, 17 de julho de 2014

Fiz aniversário... que bom!

Adoro viajar, para além da famigerada expressão "viajar na maionese". Conhecer lugares, sentir-se estranho no meio do corriqueiro é uma sensação que me dá muito prazer. Uns fogem da alteridade, em certos período eu a busco loucamente. A sensação de conhecer o desconhecido aguça a minha curiosidade, característica que sempre tive desde que me entendo por gente. Por essa razão, de forma a saciar a minha vontade pelo novo, pelo desconhecido, optei ser historiadora. Buscar o que não é ininteligível no tempo do agora para decodificá-lo para os meus contemporâneos é uma delícia de desafio, que advém muito do que sou - acredito. Acho que é uma velha estratégia de vida: fazer profissionalmente o que me nos dá gosto. Estive fora de casa por um mês e neste período fiz aniversário. Confesso: detesto datas comemorativas! Logo, não gosto de fazer anos. Não sei o por que, simplesmente não gosto. Claro, adoro ir às festas de aniversários dos meus queridos. Aliás, não deixem de me convidar! Mas preferiria pular o dia 13 de julho.

Por algum motivo, este aniversário feito a distância me fez sentir amada pelos os que gostam de mim. As manifestações de carinho me acalentaram. Pode ser pelo fato de muitas vezes me sentir sozinha - no lo se. 
De tudo, as mensagens de carinho, por mais torpes que possam ser, fazem bem ao outro. Um abraço inesperado, um sorriso largo, uma mensagem positiva... atos simples que são tão transformadores. De tal modo, acho que ando relapsa com as pessoas que gosto e me preocupando mais com gente que "dá de ombros" para minha pessoa (percebi isso lendo as mensagens que recebi no dia do meu aniversário). Parece frase de livro de auto-ajuda barato, mas: demonstre mais para as pessoas que você realmente se importa com ela. Eu me importo com um tanto de gente que há séculos não vejo e tampouco procuro...

No mais, escrevo mais velha e com o coração abastecido de carinho!
Se você é meu amigo: muito obrigada por sê-lo. Caso contrário, pode vir que as portas estão abertas e tem sempre lugar.

terça-feira, 15 de julho de 2014

O inferno não são os outros.

Eu considero a minha cabeça como algo indecifrável. Isso pode parecer algo comum, uma espécie de sentimento coletivo. Não experimento a vivências alheia, não sei das angústias que sentem e qual o impacto das mesmas em suas vidas. Seria muito egoísta dizer que pouco me importa, porém, acho que cada pessoas tem que lidar com a sua loucura e com os mistérios que a rondam, e que por muitas vezes nos blefam. Acho, não sei por qual motivo, que escrevendo posso decifrar melhor o que acontece comigo, me conhecer, ou melhor, tornar-me mais inteligível para mim mesma. Sim, é difícil de dizer, mas é uma necessidade de auto-ajuda- escrever escrever escrever. Expulsar o inferno contido aqui dentro, subvertendo o recado sartriano: o inferno são os outros. Não, e que me desculpa Sartre, o inferno sou eu e reconheço (ou pelo menos tento reconhecer).  
Um motivo para escrever e entrar nessa "bloggesfera". A ver lo que pasa...